Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
olho do dia

 

 
Margaretha Zelle nasceu em Leeuwarden a 7 de Agosto de 1876, segunda filha de Adam Zelle e Antje van der Meulen. A fortuna do pai possibilitou a Margaretha o acesso a boas escolas, chegando a estudar para se tornar numa professora da pré-primária. Porém a sua vida teve uma inesperada reviravolta com a falência do pai, consequente divórcio dos pais e algum tempo depois a morte da sua mãe. Margaretha acabou aos cuidados do padrinho e prosseguiu com os estudos até que este a tirou da escola porque o director tentava seduzi-la.
Meses depois, ela foi morar com um tio em Haia, até que aos dezoito anos se casou com Rudolf MacLeod. Margaretha conheceu o seu marido através de um anúncio no jornal, Rudolf era um oficial da marinha e após o casamento mudaram-se para Java, uma ilha na Indonésia que pertencia aos Países Baixos. A relação estava longe de ser pacífica, Rudolf era alcoólico, violento e infiel e Margaretha acabou por abandonar o marido. Entretanto muda-se para a casa de outro oficial da marinha e desenvolve o seu interesse pela cultura indonésia. Alguns meses depois ela e o marido reconciliam-se, embora este não tenha mudado, e Margaretha refugia-se no estudo das tradições, com um interesse especial pela dança. Rudolf e Margaretha tiveram dois filhos, um menino que morreu antes de abandonarem a Indonésia e uma menina. De regresso aos Países Baixos o casal decide separar-se, Rudolf ganha a custódia da filha e Margaretha muda-se para Paris, tem 28 anos.
Para se sustentar trabalha como modelo e faz espectáculos num circo, posteriormente começa a trabalhar como dançarina exótica. Nesta altura as culturas egípcia e asiática estavam na moda e Margaretha consegue o seu próprio espectáculo no Musée Guimet, estreando em 1905. As suas actuações são de um sucesso estrondoso, criando até um novo estilo de espectáculo na cidade das luzes. Margaretha surge com roupas promíscuas, movimentos sensuais e sob o nome de Mata Hari.
Mata Hari significa sol em malaio (a língua falada na indonésia), mais propriamente olho do dia. Margaretha afirma ter sido iniciada na arte da dança oriental desde criança o que lhe confere uma certa respeitabilidade, as críticas à sua falta de talento surgem anos mais tarde. Mata Hari gosta da aura de mistério que cria à sua volta, o seu estilo marcou uma era, não tardaram a surgir imitações. Porém não foi a dança o que tornou Mata Hari num mito ou mesmo as fotos provocantes que correram o mundo, mas sim os seus casos amorosos. Para muitos Mata Hari foi uma prostituta, depende somente do que se chama a uma mulher que teve muitos amantes. Luxuriosa e promíscua, um espírito livre, todos desejavam Mata Hari não tanto pela sua beleza como pela sua sensualidade e até hoje ela permanece um ícone de femme fatale.
Mata Hari viajava constantemente por toda a Europa, umas vezes para atender a eventos sociais ou para meramente se encontrar com um dos seus amantes que eram em geral homens ricos e poderosos e sustentavam o seu modo de vida. Com o início da 1ª Guerra Mundial Mata Hari continua a poder viajar livremente, uma vez que os Países Baixos se mantiveram neutros, porém os seus movimentos não deixaram de atrair a atenção. Quando interrogada pelo MI5 (serviços secretos britânicos) ela admite fazer espionagem para os serviços secretos franceses, embora não se saiba a veracidade destas afirmações.
Em Janeiro de 1917 começam os acontecimentos que levaram à execução de Mata Hari meses mais tarde. São interceptadas pelos serviços secretos franceses mensagens entre militares alemães em Madrid e Berlim, nestas mensagens em código afirmam que as informações transmitidas pelo espião alemão sob o nome de H-21 têm sido muito úteis. As informações contidas nestas mensagens identificam Mata Hari como a espia H-21. Não se sabe se de facto Maria Hari fazia espionagem para os alemães ou franceses ou mesmo para ambos, embora seja um facto que os seus conhecimentos lhe possibilitassem esse acesso. O que leva alguns historiadores a suspeitar da inocência de Mata Hari nestas acusações é os serviços secretos alemães saberem de antemão que os franceses já haviam decifrado o seu código e logo a informação contida naquelas mensagens não estaria segura.
Ainda assim as autoridades francesas prenderam Mata Hari a 13 de Fevereiro de 1917 e a 15 de Outubro ela foi fuzilada. Os pormenores que rodeiam a sua morte são confusos, existem demasiadas suposições e mitos, mas também foi assim a vida de uma mulher que marcou a sua época pela irreverência. Uma mulher que nasceu nesta cidade.
 

sinto-me:

publicado por Andreia às 16:04
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